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1. Os limites do corpo
O Caminho mostra que você é capaz de superação. De superar seus medos, suas inseguranças, suas dores, sua incredulidade àcerca do seu próprio poder. Descobre que, apesar de exausto, pode dar mais um passo e mais outro, e chegar ao seu objetivo. O Caminho lhe ensina a cuidar de seu corpo, das suas bolhas, das suas dores musculares. O Caminho lhe ensina a ouvir seu corpo, a descobrir quando deve parar ou diminuir o ritmo de sua caminhada, a ajustar sua mochila de modo que ela e seu corpo se tornem como um só. Você descobre os seus limites e como pode, até, superá-los.
2. Simplicidade
No Caminho, você descobre que é possível viver com muito pouco. Uma roupa no corpo e outra na mochila. Uma bota ou um tênis e uma papete. Pouco dinheiro. A divisão do espaço de dormir com os outros peregrinos. A divisão da comida. Com tão poucos bens e vivendo em um estado de bem estar, se descobre como é possível ser muito feliz tendo tão poucos bens materiais.
3. Humildade
A divisão dos espaços leva a um exercício de humildade. O submeter-se às regras dos albergues, às regras do Caminho, nos faz refletir sobre a nossa importância na sociedade. Faz-nos ver que todos os homens são iguais, independente da conta bancária ou do status social. Conhecemos pessoas e gostamos delas, sabendo somente seu primeiro nome e sem saber o que elas fazem ou que posições ocupam no mundo.
4. Tolerância
A convivência estreita com outros peregrinos nos faz mais tolerantes. Com os defeitos, os erros, as dificuldades dos outros. Sentindo as nossas limitações, aprendendo a ser tolerantes com nós mesmos, passamos a melhor entender e aceitar as limitações dos outros.
5. Amizade
O companheirismo se estabelece fácil. De repente você se descobre falando espanhol, respondendo a outro peregrino em alemão, se comunicando em inglês, italiano, francês, às vezes tudo ao mesmo tempo. Você pode se comunicar mesmo sem dominar a língua do outro peregrino. Os jantares em grupo, onde cada um contribui com o que pode - dinheiro, comida, trabalho, dotes culinários, lavando a louça – gera uma das experiências mais ricas da convivência humana. Uma babel de línguas e todos se entendendo, ao redor de uma mesa com comida frugal e saborosa.
6. Solidariedade
É emocionante sentir a solidariedade dos peregrinos, o desejo de ajudar, a amizade que se estabelece entre pessoas de diferentes raças, religiões, credos e culturas. Não se pode deixar de pensar de como o mundo poderia ser diferente e as pessoas poderiam viver em paz com os vizinhos próximos ou distantes, se a solidariedade existente no Caminho se estendesse ao mundo.
7. O encontro com o Divino
No Caminho, a todo momento se encontra o divino. Uma flor desabrochada, a orquestra de passarinhos, o cheiro da lavanda, a imensidão azul de um céu sem nuvens contrastando com os amarelos variados dos campos de Castilla, tudo nos leva à presença de Deus, forte, latente, ao nosso lado. A caminhada se torna frequentemente uma oração. Você conversa tanto consigo mesmo que logo começa a conversar com Deus.
André e Clinete Lacativa
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